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Recordar também é viver

 Estou pregado na poltrona assistindo ao clássico inglês, na Premier League, e em campo estão cinco dos maiores jogadores que tenho visto nos últimos anos, em todo Planeta Bola, e, na minha memória, nos lances principais do jogo, respeitem minha comparação, por favor, me vejo nos gramados do Estádio Municipal de Miracema correndo atrás da bola com meus amigos, alguns craques, como o Júlio Barros e o Ademir Souza, que me fazem lembar De Bruyne, outros velocistas e artilheiros, como Mané e Salah, que me lembram o Thiara e o Antônio José, e outros que aos poucos vão tomando conta da minha lembrança. 

Claro que são coisas da minha imaginação, afinal isto aqui é uma crônica de ficção, mas, guardando as devidas proporções, será que os citados, jogando hoje, com a preparação física e todos os cuidados fisiológicos, táticos, técnicos e medicinal, os quatro da minha imaginação fértil não estariam jogando em alto nível nos grandes times do mundo? Eu respondo. Sim, claro, eram geniais nos anos 60/70 e poderiam ser nos anos 2020. 

Vou passeando e procurando quem poderia ser o Virgil Van Dick, o  craque de bola que sabe como poucos da arte de ser zagueiro, na Holanda é respeitado e no Liverpool dizem ser um dos melhores da história do clube. Nem ouso fazer comparações, mas poderia ser o Batista Leite, técnico, inteligente e com um senso de marcação tal qual o holandês do Liverpool, e poderia ser Eduardo Piazza, mas este eu faço comparação com outro craque na zaga, o português Rubém Dias, que sabe sair jogando e tem uma classe incrível, como tinha o nosso zagueiro dos tempos de Vasquinho e Associação. 

Vou navegando e te perturbando com minhas lembranças, liga não, são momentos de solidão devido ao isolamento forçado pela pandemia do Covid-19, e a cada lance eu me pegava fazendo novas comparações, mas sempre foi assim, as vezes, nos jogos que transmiti aqui na Difusora ou na Rádio Cidade, fazia um comentário deste tipo e até que um dia o Sérgio Tinoco, um dos mitos da narração esportiva do Brasil, foi a Miracema comigo e quis saber se o time que eu jogava era muito bom e se eu, que sempre contei meus gols, era realmente o que contava para ele. 

Mas isto é papo para o final da crônica de hoje, claro que nas minhas "viagens", como esta de hoje, quando assisto Liverpool x Manchester City, vejo estes caras e me lembro de Kun Agüero, um dos grandes artilheiros do City e hoje no Barcelona e ainda contundido. Mas porque lembrar Agüero? Porque ele me faz lembrar de Cacá Moura, que jogava o fino da bola e tinha lampejos de craque misturado com o de artilheiro. 

E então chego na conversa de Sérgio Tinoco lá em Miracema, com o Ricardo Padilha (Zé Careca), que foi sutil e parece até que foi hoje, neste momento, o comentário do meu saudoso amigo que se foi há algum tempo atrás para o Oriente Eterno. 

Sérigio Tinoco: - Rapaz, o Adilson jogava o que conta prá nós, lá em Campos. 

Ricardo: - Não sei o que ele fala, mas não era um craque, mas era preciso cuidado porque ele fazia muitos gols, de todos os jeitos. 

Sérgio Tinoco: - Mas então ele seria o nosso Romário? 

Ricardo: - Menos, moço. Se ele fosse igual a Romario ninguém aguentaria a sua marra, a do Baixinho já é complicado, se o Penacho fosse parecido com ele seria muito pior do que o artilheiro da seleção. 

Pois é, eu concordo, e me lembro do Maninho, que me dizia, no vestiário, não queira fazer o que o Ademir faz, você não sabe, faça parecido com o Edil que eu não tiro você do time, dizia o grande mestre Alcir Fernandes de Oliveira. 

Resumo: Sonhar vale e as vezes eu tenho razão, ou não? 

Comentários

  1. Sensacional! É muito bom relembrar de toda essa turma.

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  2. Todos este citados, e os que não foram, da nossa geração, fizeram parte de um dos melhores momentos do nosso futebol. Relembrarei sempre desta turma maravilhosa. Abraço.

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