Cresci ouvindo, nos alto-falantes da Igreja Matriz de Santo Antônio, as músicas natalinas, que por sinal ainda são as mesmas daquela longínqua década de 50, quando comecei a dar os primeiros passos a aprender as primeiras letras.
“Noite Feliz... Noite Feliz... Ó Senhor, Deus do amor... “ quem esquece? Trocam os intérpretes, gente famosa, cantores desconhecidos ou simples rapazes ou moças das igrejas a cantar, anualmente, uma das mais tocadas neste período de natividade.
Certa vez eu perguntei a mana Eliane o porque que a Zezé Parreira não viria para ficar comigo na igreja. - Por que você pergunta isto? Indagou a mana mais velha. Simples, respondi, segundo a narração de minha mãe antes de ir para o Oriente Eterno.
“Hoje a noite é bela, vamos eu e ela (no caso aqui a hoje Zeza Parreira) vamos a capela felizes a rezar”. Tem sentido ou não este pensamento de criança? Claro, eu sempre estava junto com a Zeza e na hora de ir a igreja queria ir com ela do jeito que a musiquinha ensinava.
Agora, aqui prá nós, bem baixinho, que ninguém nos ouça. Tem uma canção de natal que não suporto ouvir até hoje e, se é que eu os tenho, um dos traumas da minha infância é justamente este versinho “nojento” cantado em todas as línguas.
“Botei meu sapatinho, na janela do quintal, Papai Noel deixou, meu presente de Natal”. Eita mentira danada, eu botava o sapatinho na janela, botava na escada, nos degraus da porta e nada de vir presentinho de Papai Noel. Criança sonha, mas tem certos sonhos que só mesmo na musiquinha de Natal. E você, já se decepcionou ao ver o sapatinho vazio?
E tem aquela do comercial da Varig, um dos mais bonitos de todos os tempos, cuja música se tornou hino natalino e faz parte da vida de muita gente da minha geração e pós a esta turma dos anos 50. Você sabe que estou cantando, aqui em silêncio, né mesmo?
“Quero ver você não chorar, não olhar prá trás não se arrepender do que faz...”, é ou não uma bela canção de Natal? “Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer você resistir e sorrir... “
Realmente uma pérola esta canção e as imagens deste comercial ainda estão na minha mente. Mas, outra vez, vou contar bem baixinho, um trauma pós adulto. Sabe o que é? Aquela música, regravada pela Simone, tocada em todas as lojas, em todos os serviços de som das cidades por onde passo e que me batem nos nervos todas as vezes que escuto.
“Então é Natal... E o que você fez? O ano termina.. E começa outra vez.” Tem coisa mais cafona do que isto? Será que é birra com a ótima Simone? Será que foi por ouvir demais? Sei lá, sabe, mas não dá para ouvir nem mesmo nas reuniões lá na casa da Eliane, já pedi para não botar esta música e por isto estou levando um CD só com músicas natalinas, mas executadas por um cavaquinista dos bons.
E, para encerrar o Hit Parade Natalino, que tal relembrar o hino oficial de todos os natais do mundo? Tenho em mente que o planeta inteiro canta esta canção americana, Jingle Bells, que agora tem em ritmo de rock, samba, marcha e, aff.. Até em funk, para o desespero deste velho escriba.
“Anoiteceu, o sino gemeu a gente ficou feliz a rezar”. E vamos pensar NELE neste dia dedicado ao seu aniversário.
Feliz Natal a todos.
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