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E na vitrola o som de Jonnhy Rivers

  Ontem, numa dessas mensagens que recebo diariamente, via celular, deparei com uma dizendo que "viver de saudade é maléfico". Mas como? Perguntei. Como não viver de saudade se é de saudade que vivo? 

Minhas lembranças são maravilhosas, minha vida foi vivida intensamente e hoje, já chegando a bodas de diamantes, de idade e não casamento (75 anos para quem não sabe), não posso fazer um por cento do que fazia nos tempos que sinto saudade hoje. Certo? 

Por exemplo: Na semana passada vi um documentário dos Beatles, no Canal Bis, da Globo Play, e voltei cinquenta anos no tempo. Fui e voltei ao Grêmio do Nossa Senhora das Graças ouvindo Let Bee ou don't let me down, dancei novamente ao som do belo repertório escolhido pelo Gilson Coimbra e revi, pelo menos em imagens de meu cérebro, as meninas com quem dancei e curti aqueles maravilhosos momentos. 

Viram só? Como não ter saudades? Como que isto pode fazer mal para uma pessoa normal, que viveu grandes momentos e participou ativamente das coisas da juventude? Saudade não sentirá aquele inerte, aquele que passou pela vida sem dar um pouco de seu sangue, suor ou lágrimas para ser feliz. Saudade bate forte e por isso estamos aqui, vivendo no pós sessenta anos com alegria, cantando e contando alegremente nossos momentos. 

Sei que é exagero falar demais no passado. Sei que é doloroso reviver um tempo que não volta mais. Sei que os médicos recomendam viver intensamente para esquecer o passado, mas meus amigos, isto pode ser receita para quem não tem passado, como disse acima, mas para nós, minha geração foi privilegiada, qualquer encontro é uma festa de recordações repletas de felicidades até na hora de reviver tudo que passamos na nossa Miracema ou fora deste pedaço generoso de nossas vidas. 

Falei de Beatles mas poderia falar de Wilson Simonal, de Renato & Seus Blue Caps, poderia falar de Rolling Stones, de Tony Bennett, de Sérgio Endrigo ou  Pepino de Capri, poderia cantar Roberta, Sapore Di Sale, Satisfaction, Yesterday sem medo de errar a letra, dançar ao som da Tabajara, da Cassino de Sevilha, do Windsor e tantos outros que abrilhantaram nossos bailes e garantir que tudo isto ainda está vivo e nos faz um bem danado em reviver. 

Meus filhos me condenam quando digo que no meu tempo é que era bom. um dia, não faz tanto tempo assim, um deles me perguntou: - Pai, estas músicas que você tanto fala eram mesmo boas ou é apenas saudade de um tempo que não volta mais? 

A resposta não foi em viva voz, foi no Spotify, ferramenta moderna, que todos nossos filhos sabem como lidar, e depois de quase uma hora ouvindo, vendo e curtindo o som dos Beatles e de tantos outros dos anos 60/70, veio a resposta que queria ouvir.

- Pai, você tem razão. Nunca ouvi tanta coisa bonita em apenas uma hora, fiquei fã e vou aprender a gostar e a respeitar o seu gosto, hoje a gente não leva nada para o futuro e vocês trouxeram uma bagagem espetacular no sentido musical e artístico. Parabéns, pode reviver seus bons tempos que agora você tem uma companheira ao lado. 
Valeu, Gisele. 

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