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Futebol de botão uma doce lembrança

 Meu time tinha Delém, tinha Zagalo, naquela época com um L só, Pampolini, achava bonito este nome e havia o conhecido na Tijuca, e um zagueiro lateral direito, Cacá, que tinha lugar no meu escrete porque era casado com uma miracemense.

 Meus craques eram tratados com carinho, tinham luz própria, estavam sempre na caixa protegida por algodão, feltro, flanela e bastante talco, que era para não estragar o polimento dado todos os dias pela manhã e à tarde.

 Quem, em sua infância ou juventude, não jogou botão? Até meus filhos, criados em época diferente, o Leandro ainda guarda até hoje o seu primeiro time, montado na Rua Pereira Nunes, pertinho da Av. Pelinca. Por falar nesse time e na rua, por lá tinha o Andral, um militar que hoje deve estar aposentado, que incentivava a garotada a participar de campeonatos, por ele promovidos, e era bacana ver aqueles guris o acompanhando por todos os cantos levando as suas caixas com seus times de botões bem protegidos.

 Por aqui, além do Andral, só vi o Fernando Antônio, o esperto repórter da Continental, falar sobre a paixão pelo Futebol de Botão, acho que é por isto que não continuei com esta mania, gostosa por sinal, de ficar horas e horas narrando um jogo entre os meus times preferidos, que nunca, diga-se de passagem, levaram a camisa rubro negra para dentro de um campo de jogo.

 E por falar em campo de jogo, o meu preferido era mesmo o chão de cimento, as mesas sempre eram empenadas e um pouco desconfortáveis, no meu tempo era muito difícil ter uma mesa apropriada para este tipo de brincadeiras, sempre os pais improvisam e nunca dá certo. 

O Estádio Scilio Faver, uma varanda espetacular, com piso de cerâmica vermelha, era o que havia de melhor em Miracema, o nome homenageia o dono da casa, cujo filho, Scilinho, tinha um timaço, bem melhor do que o meu, mas sempre me convidava para os torneios porque eu narrava os jogos e ele fazia a ponta, coisa de radialistas mirins.

 Naquele tempo, bota tempo nisso, tinham alguns craques do futebol de botão que nos faziam chorar, o Maurício Mercante, por exemplo, além de nos fazer raiva com o seu bom time de botão, nos intimidava quando a partida era realizada na varanda da Dona Lídia, ele se achava o tal e se ganhássemos era certo levar uns “coques” na moleira.

O Moacir José, o Fumaça, neto do grande Dr. Moacir Junqueira, era um grande parceiro. Seu pai, Neném Mercante, nos ajudava a escolher nossos “craques” e incentivava a turma que ia jogar na sua varanda.

A gente passava um bom tempo ajoelhado naqueles pisos encerados, foi ali que comecei a ter gosto pela narração esportiva e a ficar metido a repórter de campo. Meus botões davam entrevistas antes, durante e depois das partidas, o melhor em campo recebe prêmio,  tal qual as emissoras de rádio. 

Hoje, após quase trinta e cinco anos de microfone esportivo, tenho saudades daquele romântico jogo de botões, claro que também da nossa infância pura e cheia de atividades. 

Não me conformo com esta mesmice de agora, ver futebol na tevê, jogar sinuca, pião, botão e qualquer outra atividade, que outrora eram praticados na rua, na varanda ou até mesmo em uma mesa de bar, ser hoje desenvolvida na tela do computador.

 

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