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Histórias do Rádio

 O mundo mudou, o clima já não é o mesmo e eu, bem mais experiente, também mudei, e muito, mas o amor por minha Miracema não mudou em nada, continua o mesmo de sempre e às vezes peco por falar demais sobre minha "terrinha" amada. 

Muito escrevi sobre nosso povo, nossa gente maravilhosa, nossos personagens de infância e muito escrevi e falei do nosso futebol, incontáveis crônicas e inenarráveis momentos em que vivi, na "latinha" (para os leigos explico que é o microfone esportivo), e nas letrinhas (a máquina de escrever/teclado de computador, que caberiam em um livro de quase mil páginas, por isto encontro dificuldades em publicar o tal livro prometido, não sei como começar ou terminar o dito cujo. 

Nessas histórias todas, vividas no rádio campista, nestes mais de 40 anos de trabalho como repórter, comentarista e narrador, uma mais importante foi a que conto aqui abaixo, aconteceu em uma transmissão, que fiz para uma emissora de Maceió, envolvendo Americano x CSA, aqui no Estádio Godofredo Cruz. 

A emissora enviou apenas o narrador para Campos, que veio com a delegação e por aqui pediu a Campos Difusora que emprestasse um repórter que também seria o comentarista, Aloisio Parente me indicou e lá fui eu para abrir a jornada com Paulo Tiraquê, nosso operador também emprestado, e Nonato, o narrador, que me pediu para participar do programa que rolava na emissora. 

Vou resumir para não alongar o papo. Quando ele me apresentou dizendo que um campista iria trabalhar com o ele, retruquei, moro e trabalho em Campos, mas sou de Miracema, aqui perto, no Noroeste Fluminense, e foi o gatilho para o que aconteceu depois. 

O rapaz do estúdio disse, logo a seguir, que ligaram para a emissora perguntando se poderiam falar comigo, sobre Miracema, é claro. Disse que sim e entrou no ar um cidadão que me disse: "Meu avô ouviu você falar e pediu para conversar contigo, pode ser? Eu, certamente permiti e o diálogo abaixo aconteceu entre mim e o senhor, cujo nome juro que já me esqueci.

- Boa tarde, eu sou (fulano) trabalhei na Usina Santa Rosa, lá em Miracema, e morei por lá quase dez anos, me emociona muito falar com você. Este Dutra, do seu nome, por acaso é do dono do bar em frente a Igreja? 

Bingo! Senti que a conversa poderia render e disse que sim. - Sou neto dele, Adilson Dutra. E ele, com a mente bem clara e boas lembranças, perguntou: - Filho do Zebinho ou do Ari? 

Aí emoção tomou conta de nós dois e deixei o homem falar e perguntar por todo mundo que ele queria ter notícias, mas ficou sabendo que meu avô tinha falecido antes mesmo que eu falasse, mas ficou triste quando lhe deu a notícia de morte do Vitor Cascudo e do Seu Frazão, e conversamos por longos minutos, só cortados pelo tempo que acabara já que a jornada esportiva teria seu começo em cinco minutos. 

São estes fatos que nos fazem recordar da nossa vida de repórter e trazer neste período de festa da cidade, para dizer como nossa Miracema faz parte de minha vida e como é conhecida por este mundo de meu Deus.

O causo, por completo, trarei em breve já que está no meu arquivo e não procurei ainda. 

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