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No tempo da TV do Louvise e do Magaldi

 Tenho assistido a uma televisão bem ao estilo Miracema/anos 60, sob o comando do velho amigo de meu pai, Miguel Magaldi, que fazia um tremendo esforço para que a população da cidade pudesse ver as novelas, o noticiário e os filmes da Tupi e da Globo, e a turma apaixonada pelo futebol pudesse ver, via TV Industrial/Juiz de Fora, o jogo do campeonato carioca do domingo. 

Tempo de televizinho, saudades da janela do Joel Alvim e Tia Ricarda, saudade da poltrona do casal Eduardo/Dona Elmira, pais do amigo Adrian Coré, que sempre me convidava para filar um programa na sua tevê, principalmente o que eu mais curtia, às terças-feiras, o Rio Hit Parade, que era da TV Rio. 

Hoje não sei como está a tevê em Miracema e se ainda precisa dos serviços do substituto do Miguel Magaldi, meu bom companheiro Chiquinho Lovise, creio que as parabólicas resolveram o problema da captação de sinais, que vinha do Pico Caledônia, em Friburgo e era escorado lá no Pontão Sinal, em terras do Osvaldo Cardoso Lima, o Suíço. 

Lembro estes grandes detalhes, isto mesmo, grandes detalhes, afinal fazem parte da nossa história de vida, para dizer que hoje, como nos anos 60, a televisão por aqui, na grande cidade de Campos dos Goytacazes, ainda permanece do mesmo jeitinho que vivi na minha Miracema, para se ver as novelas, os noticiários e o futebol da TV Globo, a maior do país, é preciso paciência e tolerar quedas de sinais, que por acaso é digital e moderno, de meia em meia hora e não há Chiquinho da TV que dê jeito. 

E, voltando a nossa sina televisiva da infância e juventude, vamos dar um salto de dez anos e chegar aos anos setenta, com mais recursos e com a Prefeitura bancando os gastos, e quando as madames mais queriam ver tevê, em um final de novela, por exemplo, parece implicância do Chiquinho. Booom!!!! Saia do ar, como saia sempre nas manhãs de domingo quando esperávamos os grandes duelos de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet na Fórmula Um. 

E aqui fico recordando de meu pai, Zebinho Dutra, quando a mana Eliane assinou a Sky e lhe disse: "Pai, agora você poderá ver os filmes e o futebol a vontade, tem um monte de canais para o senhor assistir e ficar quietinho no sofá sem reclamar". 

E o velho, já rabugento e teimoso, zapeava os canais e dizia para ela, Eliane, que ficava irada: "Bom era no tempo do Miguel Magaldi, a gente tinha poucos canais mas uma imagem muito melhor do que esta aqui, não aguento mais ficar procurando coisas para ver", reclamava o turrão Zebinho. 

E é assim que eu me sinto nos sábados, que me parece ser um dos dias mais odiados pelos programadores das tevês por assinatura, e realmente dá uma tremenda saudade da tevê do tempo do Chiquinho e do Miguel, onde pegava apenas um ou dois canais e tinhamos que contentar com isto ou fugir para um programa alternativo, que era sempre uma visita ao Bar Pracinha ou a Sorveteria do Abdo.

Bons tempos de tevê ruim e de vida muito melhor na nossa Miracema. É ou não é? 

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