Pular para o conteúdo principal

O Jardim o pé de jambo e o coreto

 


Já escrevi por aqui, e em alguns lugares, que o Jardim de Miracema e seus bancos sempre foram meus refúgios favoritos, sempre afastado da principal passagem, me sento por ali e começo a recordar grandes momentos vividos naquela praça e naquele entorno maravilhoso e mágico. 

Sentar ali, já dizia meu velho guru, Ermenegildo Solon, é um santo remédio principalmente para quem viveu intensamente o lugar e os arredores. Olhava para o Jardim de Infância Clarinda Damasceno e revia as professoras maravilhosas, não as chamávamos de "tias"  apenas de professora ou dona, sem citar nomes para não esquecer de algumas, você, que viveu este momento, faça uma reflexão e lembre de sua professora ou de algumas delas. 

Por ali, nos bancos do jardim, olho o Rink e me vejo correndo atrás de uma bola seja ela de futebol de salão, vôlei ou basquete, aquele palco era sagrado para minha geração, já contei várias histórias sobre os craques que brilharam na quadra mais famosa da cidade, e que  hoje, não só para mim e meus companheiros, é pura saudade e, pelo menos quando estou por lá, completamente solitária e isolada dos garotos da geração smartphone. 

Outro pedaço que já ganhou crônica especial foi o pé de jambo, frondosa e majestosa árvore, parece ser a rainha do jardim. Os pássaros do viveiro, criado e inaugurado na gestão do Prefeito José de Carvalho, parecem ser seus guardiões, as folhas caídas pelo chão se transformam em  tapetes da bela Majestade. 

No coreto é que bate uma saudade maior, foi ali, levado pelo professor Geraldo Brandão, o Mocinho, que descobri que falar ao microfone não era difícil e, segundo o Jorge Ripada, eu levava jeito, tinha uma boa dicção e poderia fazer os programas nas manhãs de domingo no serviço de auto falante do Jardim de Miracema. Foi só falar que rolaram duas lágrimas, não de saudade, mas de alegria por estar onde estou graças a estes momentos de aprendizado. 

Os bancos do Jardim de Miracema nos contam a história da cidade, o progresso estava ali, marcado nas publicidades dos bancos, e, quando começaram a trocar aqueles que se quebraram devido ao longo tempo e a falta de manutenção, foram trocados por outros, sem propaganda do doador, sentíamos que a cidade estava decadente e o comércio mais fraco. 

Eu tinha um banco preferido, o da Camisaria Gérson, era ali que gostava de sentar com os amigos para uma prosa e uma roda de violão, sempre com o Luiz Carlos Vieira de Matos, e com os amigos em volta tentando cantar uma música de Geraldo Vandré ou de Gilberto Gil, e aí repito aquela canção do Roberto Carlos "velhos tempos, belos dias...", ou então aquela frase do poeta e escritor, Gonçalves Dias, "... minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá..."

Nosso Jardim de Miracema é um cartão postal e para quem viu, como eu, a inauguração da Fonte Luminosa, no governo do Prefeito Altivo Linhares, não perdoa o abandono do monumento maior de nosso jardim, que ao lado do Parque Infantil, recentemente reformado, é nosso maior patrimônio da Praça Dona Ermelinda, só perde para o majestoso Pé de Jambo. Ou não? 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Coisa de louco? Não, apenas uma conversa inusitada

 Ca ra, quando eu te conheci não sabia sequer falar corretamente, era trazido pelo Nijel ou pelo Alvinho, hoje estou aqui, já grandão, falando sobre você, sobre você e praticamente conversando com você, que durante alguns anos me deu um punhado de alegrias. Alguém falou em tristeza? Não, jamais fiquei triste ao lado deste velho moço, que está recebendo nova roupa e se porta como se tivesse novamente poucos meses de vida. Quantas vezes cheguei aqui solitário, falando baixinho para você, que um dia seria famoso e jogaria em um grande time brasileiro? Quanta ilusão. Você não respondia. Ficava calado. Seu silêncio parecia prever que nada disto aconteceria. Você viu passar por aqui o grande Lauro Carvalho, que cracaço, o Milton Cabeludo, meu primeiro ídolo do futebol, viu nascer a geração Rink, lideradas pelo incrível, e gordo, Chiquinho Maracanã, viu nascer o Tupan, onde o meu velho pai, Zebinho, jogava ao lado de craques como Olavo Cueca, Noqueta e tantos outros da geração anos 20, nã...

Oração de um jovem triste

   Eu hoje estou tão triste, eu precisava tanto conversar com Deus... Não, eu não estou triste e nem quero falar dos meus problemas com Deus, eu apenas acordei pensando em Antônio Marcos, este poeta brasileiro, da Jovem Guarda, que nos deixou muito cedo e você, que pode ser o Homem de Nazaré ou a Menina de Trança, que me lê agora, pode até dizer que eu tenho "Sonhos de `Palhaço" como "se eu pudesse conversar com Deus".  E "Por quem chora a Tarde?" Sabe me responder? Eu não tenho certeza, mas tudo bem, "Como vai você? Estas e outras canções, que aproveitei os títulos para conversar com os amigos nesta segunda-feira de muito calor, aqui na nossa Campos dos Goytacazes, fazem parte de minhas playlists, sou um fã confesso de Antônio Marcos Tive  uma "bronca" com um dos nossas antigos padres na nossa Igreja de Miracema, que proibiu nosso coral, onde era um dos integrantes, de cantar esta canção/oração em uma solenidade de formatura onde vários jov...

O Grande Jair Polaca

  Jair do Nascimento é um personagem folclórico de nossa cidade, não fosse ele um ex-jogador raçudo e com um chute forte, segundo seus amigos um “coice de mula”, e um destruidor de mangueiras. Quem melhor narra as peripécias de Polaca é o conterrâneo e amigo, José Maria de Aquino, que tem no Polaca um de seus ídolos do futebol. Reza a lenda que Jair “matou” todas as mangueiras do grupo escolar com seus chutes fortes, que jamais acertavam as redes adversárias e sempre vazavam o muro do pequeno campo de treino explodindo nas árvores do colégio, onde ficava o gramado do time da cidade. Após encerrar a carreira, já bem “velhinho”, Jair resolveu experimentar o outro lado, como seu ídolo Elba de Pádua Lima, o Tim, e foi ser treinador do seu Miracema FC, onde, além das funções de orientador, exercia a de roupeiro, massagista, presidente, etc e tal.. Suas histórias são incríveis, a cada viagem que faço pelas bandas da “terrinha” ouço, com atenção, as aventuras do Polaca, o ícone do futebol...