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Os donos da bola - Meus treinadores

 E, continuando a prosa abaixo, com os amigos da "Terrinha" um assunto não poderia faltar nestes conversas sobre nossa Miracema, o futebol, que um dia foi empolgante e dinâmico na cidade e o Estádio Muncipal Plínio Bastos de Barros, hoje passando por nova reforma depois de quase destruído, mas não é sobre estádio ou público que conversaremos a seguir e sim pelos homens que fizeram o futebol da "Terrinha" se desenvolver e cair no gosto do torcedor miracemense. 

Eu, falando na primeira pessoa, comecei garoto e tive a melhor experiência que um jovem da cidade poderia ter, passei do infantil ao time principal com vários treinadores, todos ex-jogadores de qualidade, a começar pelo Mestre Bitico (Alberto da Silva Carvalho), que foi um dos mais brilhantes craques do nosso futebol e criou o seu infantil que revelou praticamente toda a geração que fez sucesso por longos anos na nossa Miracema, um abnegado que descobriu talentos nos anos 1960.

Edson Barros Costa, apaixonado por futebol, "pegou" aquela turma do Bitico, que era agregada ao Miracema FC, e fundou o Vasquinho EC que teve este nome pela paixão dele pelo CR Vasco da Gama, e teve em Clarindo Chiapin um forte aliado,  outro vascaíno apaixonado, e para lá levou os garotos do Bitico que se juntaram a turma da Rua da Laje e chamou Bizuca (Adailto de Oliveira Pimenta) para ser o treinador. 

Bizuca, ex-goleiro de todos os times de Miracema e com passagem pelo Bangu, da capital, formou um time imbatível e levou o Vasquinho a um tri-campeonato municipal e com ele aprendi que para ter sucesso no futebol era preciso usar as duas pernas para chutes e domínio de bola, Bizuca foi importante em meu caminho e para meu aperfeiçoamento no esporte bretão. 

Já saindo da idade de infantil e juvenil apareceu a primeira chance de mostrar que sabia alguma coisa deste futebol e Maninho (Alcir Fernandes de Oliveira), craque do Ribeiro Junqueira (MG) e um estudioso do futebol, era o treinador do Tupã e para lá me levou e entrei em um time onde os onze e mais os reservas, era formado pelos melhores que havia na cidade, e não decepcionei, pelo menos esta foi a declaração de Maninho, que se tornou um grande amigo, em conversas nos cafezinhos do Bar Pracinha. 

Com a fusão Tupã x Esportivo apareceu a Associação Atlética Miracema e Jacy Lopes era o nosso comandante, durante os três anos em que fiquei com aquela bela camisa e no então jovem clube da cidade, marquei alguns gols, tenho somado em um caderno que prometo achar, e Jacy me manteve no time que tinha craques como Ademir e Alvinho e outros que prefiro não falar para não esquecer de nenhum dos amigos que foram craques de ótimo nível. 

Tenho que fazer uma referência muito especial ao Jair Polaca (Jair Nascimento)que sempre me chamava para os jogos amistosos e tinha por mim um carinho muito grande, não disputei um jogo oficial com a camisa alvinegra, mas os que joguei ficaram marcados no meu coração e na minha memória, como uma vitória sobre o Porto Alegre, então o papão da região, na despedida do meu ídolo Milton Cabeludo, com quem, neste jogo, tive a honra e o prazer de atuar a seu lado. 

Carminho (José do Carmo) também teve importância para este atleta amador e cheio de vontade de mostrar serviço, quando precisava dos meus gols me chamava e pedia ao meu pai, seu amigo, para me convencer a ser o seu centroavante. Carminho também revelou grandes jogadores para o nosso futebol e foi importante para muitos dos meus amigos. 

Ah! Não posso deixar de citar Célio de Souza, treinador da base do CR Vasco da Gama, que me levou e, infelizmente, me dispensou do Clube da Colina, mas sua palavra, naquela manhã de segunda-feira, em um janeiro de 1969, foi de um elogio, disse ele: "Você vai embora porque a idade de base terminou, queria ficar contigo mas vou te indicar aos amigos para que continue sua carreira". Gostei, mas aquilo me motivou a procurar um emprego e abandonar de vez o mundo ilusório do futebol, que naquele tempo não pagava e não criava em laboratórios os jogadores como hoje. 

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