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Os ilustres figurantes da Terrinha

 O Erasmo Tostes conta  muito bem deste assunto, em seu livro,  mas é preciso reviver também alguns nomes incríveis da cidade, como o Adão, o  Paraoquena, um negro valente e trabalhador, que quando tomava além da cota, mistrurada aos remédios controlados que tomava,  saía pelas ruas a correr e a brigar com quem lhe ofendesse. A ofensa, entendida pelo Adão, era um simples “Paraoquena pé de pato, comedor de carrapato”. 

Outro simplório tipo era o Raul, dono de uma voz bonita e de uma cabeleira grisalha e alinhada. Raul, conhecido também por Juquitinha, era outro que se empombava com os gritos da garotada, mas jamais correu atrás de alguém ou tentou agredir quem quer que seja, apenas se aborrecia e deixava de lado aquele que não gostasse de ouvir o seu cantar.

Foram tantos personagens que marcaram nossa infância e juventude, que poderia ser transcrito em quatro ou colunas semanais. Joel do Hospital, tão bem descrito pelo médico Carlos Sérgio Barbuto em uma crônica espetacular, era outro tipo simpático e folclórico. Seus pulos e seus gritos em bailes e brincadeiras dançantes faziam correr dezenas de moçoilas, preocupadas com um possível “agarrão” do Joel, coisa que jamais aconteceu por se tratar de um homem de bem e com uma mente civilizada. 

Mané Catinga, um negro forte e sempre disposto a um biscate, trabalhar duro nunca foi o seu forte. Mané era uma figura incrível, presente em todos os sepultamentos –era ele quem distribuía os convites impressos e muitas vezes foi flagrado jogando-os no ribeirão e nos campos de futebol.

Neca Solão, que vivia no seu habitat preferido, o coreto da pracinha, era outro que impunha medo sem nunca ter sido violento. Até hoje não descobri o porquê do temor por aquele homem, dever ser aquela máxima de mães duronas: “fique quieto senão eu chamo o Neca Solão!” Nos tempos de peladas no Rink era uma figura fácil de ser encontrada.

Cabo Atleta, não sei se era militar mesmo ou o título era apenas simbólico, era um pacato cidadão que guardava o nosso jardim. Cabo Atleta vigiava constantemente as nossas jambeiras e estava sempre alerta quando as pedras subiam procurando um jambo mais vermelho. 

O mesmo jardim nos traz à mente o grande Mocinho, locutor de voz bonita. Mocinho, o Geraldo Brandão,  dividia com o Nicanor Bastos o serviço de som, que funcionava na oca do jardim, e comandava programas de calouros e shows na Praça das Mães.

No bar do meu avô, Vicente Dutra, atendia diariamente uma dezenas destes tipos incríveis, que ficaram meus amigos e que até hoje ainda tenho um espaço reservado, no coração, para lembrar de suas aventuras. 
E quem, da minha geração, não se lembra do Jorginho, aquele baixinho que a turma chamava de Tchê-Tchê? 

Em breve mais um capítulo dessa "novela" chamada Figuras Folclóricas da cidade. 

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