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Os quitutes da Terrinha

 Ouvindo um comentário de que teríamos um festival de quitutes aqui na cidade, meu pensamento se volta para os anos 1960, na minha Miracema, e para as vitrines de doces & salgados e para as cozinhas dos bares, que hoje só estão na memória de quem viveu aqueles anos dourados na Princesinha do Norte. 

Era uma abundância em todos os sentidos, muitos bares com estilo e muita cozinha de alto nível, até os famosos botequins servem quitutes e tira gosto de qualidade comprovada e por aqui passo para a crônica da cidade, alguns daqueles que fizeram fama entre glutões, boêmios e afins. 

Tintão com Disco Voador - O que seria isto? Se perguntarem a algum atirador do TG 217, dos anos 1960, terão a resposta imediata: Chocolate com broa de amendoim do Bar do Seu Vicente, ao lado do Tiro de Guerra. E o que é "disco voador"? Simples, é uma broa de amendoim,  que ao sair do forno, geralmente assado na Padaria Primor, do Garibaldi Parreira, era duro que nem pedra, mas no dia seguinte se tornava uma delícia, macia que nem pele de moça, e era o "mata fome" preferido dos soldados do Exército Brasileiro nas manhãs de instrução. 

Bife de porco do Farid - A turma da geração anterior a minha pode falar com mais precisão sobre esta mania dos rapazes da cidade. O fim de noite na cantina do Farid era quase um ritual, frequentado pela melhor rapaziada de Miracema, Farid era o lugar ideal para a turma contar as farras da noite e encher a barriga antes do sono dos justos. O bife de porco tinha um segredo? Sei lá, alguns dizem que era o suor da camiseta branca do proprietário ou o calor dos gatos pendurados nas prateleiras do lugar, mas não ouvi, até ontem, críticas ao lugar ou ao tempero do veterano cozinheiro. 

Chapa de boi do Angeludo - Outra especialidade em bife, poderia ser no pão ou no prato, mas o tempero e o modo de fazer do "Giludo" é algo que até hoje ainda não vi em qualquer parte do mundo em que andei. Conheci essa delícia no Bar Leader do Zé Careca, e não só eu, como 99% dos frequentadores do lugar eram fãs incondicionais desta delícia, eu preferia no pão, já que ao passar na chapa o mesmo ganhava um sabor inconfundível. 

O quibe do Abdo - Taí outra unanimidade entre os jovens e senhores daqueles anos dourados, o quibe e o homus do Seu Abdo, uma receita autêntica, do Líbano, feita com um esmero que só aqueles que amam o que fazem saberão, seu Abdo foi uma figura doce e carismática, fazia a juventude sentar as suas mesas, no pós sessão das seis, no Cine XV, e às vezes era reunião de famílias lá na tradicional Sorveteria Miracema. 

Os doces do Zé Careca - Dona Delmira, esposa do José Tostes Padilha ( Zé Careca), tinha o dom da culinária, mas os doces desta senhora até hoje não tiveram substitutos a altura na cidade, fama, qualidade se misturaram com sabor & arte nas vitrines do Zé Careca, e tinham freguesia certa e fez a alegria de muitas noites e em muitas salas dan nossa Miracema. 

O pastel do Seu Vicente - Mais uma gostosura do bar do meu avô, o pastel feito pela minha Vó Maria ou pela minha mãe, Lili, eram daqueles que não se comia apenas um, era massa fina, feita em casa, no muque de vovó e mamãe, e fritos com óleo puro, sem nenhum truque para ficar "moreno" e crocante. Ficou marcado na vida dos funcionários da prefeitura, que faziam fila lá pelas oito da manhã quando saía a primeira bandeja do verdadeiro pastel de carne com batata. 

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