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Sonhar com ídolos faz chorar

 Esta noite eu tive um sonho, bem legal, que me fez levantar no meio da noite, aquilo que a gente chama de madrugada, e sentar rapidamente na cama, pegar o notebook e escrever rapidamente sobre ele, se demorasse um pouco mais esquecia o que sonhei e não colocaria no papel o que rascunhei logo após acordar suado e dando gritos de gol, que espantaram Marina e até mesmo Gisele, que estava em seu quarto, de portas abertas porque o calor aqui em Belo Horizonte é forte e quase insuportável. 

O que sonhou? Pergunta Marina espantada com minha alegria e minha cara de choro, isto mesmo, um misto de tristeza, que me levava ao chorinho, não o ritmo, mas um choro pequeno de um quase ancião alegre com o que sonhava e acordava sabendo que tudo aquilo realmente não passava de um sonho mas que poderia ter sido realidade. 

Sim, poderia ter sido realidade se eu tivesse nascido pelo menos uns cinco anos antes de 1950, poderia ter sido realidade também se Braizinho tivesse vivido na minha geração, que aliás foi uma das mais pródigas no quesito futebolístico da minha Miracema, e ele, meu ídolo Braizinho, teria ao lado não Alvinho, Emanoel, Silvinho e Lair, mas sim Thiara, Cacá, Júlio e Pintinho, ou Ademir, Paulo Lolita, Manoel Lima e Edil. 

Viu só, quanta gente boa nas duas grandes gerações da bola de Miracema? Viu só o que me faz sonhar acordado, sonhar dormindo e sonhar escrevendo sobre estes monstros sagrados da terrinha? E se neste sonho você estivesse jogando com caras iluminados, como Lauro Carvalho e Milton Cabeludo ou fazendo tabelinha com Braizinho? Será que você ficaria p... da vida se fosse acordado com um barulho de moto passando na sua rua? 

Foi justamente o que aconteceu esta noite, estava eu, escalado pelo Chiquinho Maracanã, lembram dele? Ainda moleque, no sonho eu não tinha barba, jogando pelo Rink e com Lauro, Cabeludo e Braizinho no ataque, eita ataque porreta, mas não me perguntem quem era o adversário ou quem eram os outros jogadores, na minha memória só veio este trio, meus grandes ídolos do futebol de todos os tempos, e lá estava eu, vestindo a camisa do Glorioso Rink EC.

Ainda me lembro de partes do sonho, e, como em todos, dificilmente eu completava uma jogada, sempre era barrado com faltas ou não chegava na bola, mas em uma triangulação espetacular, pelo lado direito, entre Braizinho, Cabeludo e Lauro, este enfiou na medida para este centroavante "matador" e no momento do gol a moto, com descarga aberta, passa pela Claudio Manoel, aqui na Savassi, e me acorda. Susto? Não. Raiva? Não. 

Decepção? Sim. Não é todo dia que a gente joga com nossos ídolos e quando isto acontece, mesmo em um sonho, os "deuses" do futebol deveriam deixar o lance seguir e ser completado, não podia deixar um lance deste, com o Lauro, o craque do Zé Maria de Aquino, recebendo um passe de Milton Cabeludo, que tabelou com Braizinho e a jogada mortal culminaria com um gol meu, já imaginou? Um gol meu, que sempre desejei jogar ao lado e ser da geração destas feras, mas a moto estragou tudo e acordei em gritos e em lágrimas. 

Sentiram porque eu disse que o momento era de alegria e de tristeza, de gritos e de lágrimas?A Marina entendeu meu drama e disse que quando eu chegar a Miracema, na próxima visita, pedirá para mandar celebrar uma missa pelas almas dos craques Lauro e Milton, e eu ter que fazer a tão prometida visita ao Braizinho, que sempre digo que vou e não vou. 

Tá combinado, missa fica a cargo da minha sobrinha Thaís e o encontro vou agendar com amigos comuns, quem sabe o Monteirinho e o Fernando Nascimento, ao lado do Élcio, provoquem um encontro musical/futebolístico com o meu querido ídolo da infância, o Braz José de Oliveira Filho (ou seria Júnior),  nosso Brazinho, filho do Seu Bráz, um pequeno gigante do nosso futebol. 

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