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Um Craque Genuíno

Em uma conversa de botequim, me perguntaram: - O Genuíno jogou tudo isto que você fala ou é mais uma das suas histórias?

Sem medo de ser feliz respondi: - Tudo isto mais dez por cento, não vou querer dizer o óbvio, que se jogasse hoje estava no Real Madrid com sucesso de Cristiano Ronaldo, mas digo que no tempo dele, tanto na região quando no Estado do Rio, não tinha atacante do seu talento e com seu faro de gol.

Tá boa a explicação ou quer mais? Eu disse, há alguns dias, no Facebook, que eu joguei futebol e fui artilheiro por onde passei, alguém pediu provas, como aquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, o Pedreira. Renato Borges, que não me viu jogar e apenas ouve meus causos, queria foto, videos e o José Maria de Aquino queria testemunhos ao vivo e a cores.

E quanto ao Genuíno, há alguma contestação para quem o viu jogar? Algum dos amigos, que viveram nosso tempo, discorda da minha opinião que ele, o Genuca, foi realmente um dos maiores jogadores do seu tempo na terrinha na região e no Estado do Rio?

Aos mais novos, aqueles que não viram Genuíno em campo mas viram Edmundo, o Animal, podem traçar um paralelo entre ambos, e aos mais jovens ainda, que não viram sequer Edmundo em ação, mas hoje veem Cristiano Ronaldo, podem colocar no mesmo patamar sem medo de ser zoado por quem viu o nosso craque em campo.

Claro que os tempos são outros, o CR7 joga com bola de qualidade extra, em gramados extraordinários, vive do futebol e para o futebo, seu uniforme é o que há de mais moderno em confecções esportivas e o nosso, digo, o do Genuíno, no seu tempo, a bola era pesada, pintada com tinta a óleo para parecer ser uma bola branca, as chuteiras eram feitas de couro duro, com travas de pregos e outro tipo de couro mais duro ainda, e as camisas, meias, calções era pesadíssimos e a medida que o suor aumentava o peso dobrava.

E então, porque Genuíno e tantos outros que sempre elogio por aqui não foram ganhar a vida jogando futebol em um clube da capital? Perguntaria um de vocês. A resposta é tão fácil como somar dois mais dois. O que ganhava um craque do Flamengo? Um craque do Vasco? Um bom jogador do Botafogo ou Fluminense naquela época? O mesmo ou quase a metade do que Genuino ganhava por aqui trabalhando na padaria do seu pai ou fazendo seus negócios com farinha ou produtos para panificação.

Genuíno, além de um craque, era um fominha juramentado, tipo Cristiano Ronaldo, passar bola não fazia parte de sua agenda, mas há exceção, quando ele tirava um colega no pontapé (aquele bolo de cinco pessoas com números dos atacantes) ele procurava o cara até ele fazer o gol de abertura do placar. Bom camarada, bom coração, amigo de fé e leal, mas em campo era chato e cheio de marra.

Duas histórias para ilustrar o nosso papo de hoje em homenagem a Genuino Siqueira Magalhães. A primeira aconteceu no Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros, em um jogo amistoso entre Miracema x Operário/Palma, na tarde de domingo, e a segunda, no Estádio Irmãos Moreira, pelo campeonato de Miracema, em jogo Associação x Flores.

Caso Um - Genuíno na arquibancada, assistindo ao jogo, entra no pontapé e sai com o número 7, camisa que estava com o Jucão. Primeiro tempo encerrado, zero a  zero, e na volta para o segundo tempo quem aparece em campo, ele, Genoíno, no lugar do Jucão.

Preciso dizer que ele fez o gol e levou a grana da aposta? Sebastião Amaral ainda tentou argumentar, mas não havia razão, o gol foi legal e a regra diz que quem entra no lugar do que leva o número no sorteio fica valendo.

Caso dois - Aconteceu entre mim e ele, no Campo do América. Perdi dois gols e ele brigou comigo, coisa que não era do seu feitio, ele sempre reclamava que a gente não dava passe para ele, e, neste jogo, ele me encheu de bolas e dizia, "vá lá, faz o seu, você é artilheiro".

E, depois de tantas bolas com açúcar, eu fiz o gol de abertura do placar e ele me abraçou e disse: -Caramba, até que enfim, agora se vira porque não vou te dar mais bola com mel e açúcar, ganhei o pontapé e agora é pra valer.

Este é o Genuíno, craque dentro e fora de campo, gente boa, pai exemplar e um marido muito bom para a Rita, sua esposa e que o "aguenta" há quase cinquenta anos.

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