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Umas pingas e umas histórias

 Vi um documentário, em dos canais da Globosat, falando da cachaça, que virou mania entre os brasileiros modernos, e sobre onde encontrar aquela "boa".

Seja branquinha ou amarela, seja forte ou suave a cachaça tomou o coração do rico, pobre, remediado, homem ou mulheres. 

Em Miracema, no tempo em que fui ajudante de meu avô e meu pai, no bar em frente a prefeitura, conheci várias marcas e, principalmente, a nossa genuína Maravilhosa, fabricada pelo Homero Costa, em sua fazenda, que marcou época e até hoje ainda encontramos alguns litros remanescentes nas mãos do filho  do seu Homero, Antonio Carlos Pascotto da Costa, o Toninho Veterinário. 

Guarda Chuva de Pobre, a pinga mais vendida e mais popular nos anos 60,  vinha lá de São Sebastião do Alto, e a Manitu, forte e temida pelos novatos, vinha de Santo Antônio de Pádua, não tenho na memória nomes famosos da região, mas estas três marcas eram as mais vendidas em todos os botecos da cidade e fazia a festa dos bebuns e dos apreciadores do líquido ardente. 

Saudade mata, é verdade, mas desta morte me esquivo, como morrer de Saudade, se é de Saudade que vivo, mostrava o rótulo da Saudade, do Saliba Félix, os versos do poeta Osmar Barbosa, e o ex-pracinha Abib Damian, que lutou na 2a Guerra, na Itália, tinha a sua Pracinha nas prateleiras dos bares da cidade. 

No nosso bar, no hoje chamado happy hour, a turma da retífica do Washington, o pessoal da prefeitura, operários e trabalhadores, que deixavam o serviço por volta das cinco da tarde se reunia para o tradicional comes e bebes antes de chegar á casa, e a Maravilhosa era a principal pedida. 

Lembro bem da "invenção" da turma da retífica, que tinha alguns reforços de professores e operários, e que virou febre no bar. O famoso "Melinho", nada mais do que uma simples mistura de groselha com cachaça e como tira gosto tomate ou pepino que fazia com que a mistura descesse redondo e evitasse um desgaste maior no equilíbrio. 

No Mercado Municipal, onde eu aparecia de vez em quando para conversar ou fazer as compra, no açougue ou no Armazém do Basileu Menezes, vi surgir uma novidade, que ficou por muitos anos, chamada Coquinho, uma cachaça misturada com um suco, ou coisa parecida, de coco e, já experimentei, provocava um porre de respeito. Argh, que ressaca brava. 

Gostaria de dar nomes aos famosos bebedores, porém, tem sempre um porém, a ética e a boa educação não me deixam nomear os amigos amantes da cachaça, muito embora hoje seja chique ser um bebedor do líquido oriundo da cana de açúcar e, com toda certeza, aquele que vivenciou as noitadas no bar do Vicente Dutra, sabe de quem estou falando e vai lembrar com carinho da turma do banquinho. 

A cachaça ganhou vários nomes, como marvada, mé, este imortalizado pelo humorista Mussum, branquinha e, principalmente, água que passarinho não bebe, mas naquele tempo, como todas as marcas que pegam, em nossa terra Maravilhosa e Guarda Chuva eram sinônimos de pinga da boa. É ou não é?  E bem que poderíamos ter ainda em distribuição e fabricação a nossa Rosa de Prata, a última famosa da cidade, que rodou o mundo e que foi produzida na antiga Usina Santa Rosa pela dupla Antonio Carlos Lima, o Carlinhos, e Reginaldo Barros. 

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