Crônica Humorística
Lá em cima, a rapaziada anda com coceira nos pés. Saudade da bola, inveja da festa cá embaixo. Jair Polaca, sentado na sua nuvem com samba, mulatas e campinho particular, resolveu convocar Milton Cabeludo pra um “papo cabeça”. E pronto: começou a confusão.
Cabeludo não foi sozinho, levou Beiçola e mais uns veteranos. No caminho, cataram Pernoca e Lauro, que estavam rondando a nuvem do Silvinho. Maninho, o velho observador, também foi arrastado. Polaca já ligava pro Gérson Coimbra, porque a coisa tava saindo do controle. Gérson chegou, botou ordem, mas queria Clarindo, que ninguém achava.
A fofoca correu mais rápido que vento de verão: ia ter pelada! Pintinho chamou Nenenzinho, que avisou Edil, e pronto, virou romaria. Nenenzinho ainda queria brincar de “mulinha” e sair dançando, mas Cosme cortou: “Aqui é bola, samba é só no carnaval!”. Mocinho e Fota já estavam de prontidão.
E os peladeiros foram chegando, sem chuteira, sem documento, só com vontade. Polaca rodava o livro de ouro, arrecadando uns trocados com os amigos da prefeitura. Maninho puxou Olavo Monteiro pro meio-campo, e Luiz Linhares já fazia política até nas nuvens. O trio do Rink se animou, João Moreno e Joltran apareceram, e a pelada prometia. Só faltava juiz. Sem grana pra árbitro famoso, deram o apito pro Rosário Mercante, que pelo menos era sério.
Dirigente demais, bola de menos. Caixa D’água queria fundar liga celestial, mas foi barrado. Salim Bou-Issa entrou pra organizar, Altair Tostes bateu o martelo, e Farid Salim com os irmãos cuidaram da comida. Gustavo Rabelo ficou com as camisas e súmulas. Tudo pronto.
Onze de cada lado, reservas na espera, e a nuvem do Polaca já não cabia mais ninguém. O jeito foi inventar torneio, igual aos antigos Torneio Início. E a bola rolou macia, o Natal virou estádio, e o céu inteiro vibrou com a pelada mais animada que já se viu por lá.
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