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Lembranças um pouco nostálgicas

 Amanheci nostálgico, não sei se foi a não ida a Miracema ou as lembranças das festas da cidade em que eu e minha turma aproveitávamos a cada instante ou momento oferecido por ela. 

Saí de casa disposto a comprar cerveja, vinho, queijos e alguns quitutes para acompanhar o fim de noite, que prometia ser melhores do que os do Armazém do Lenílson.

Logo após os primeiros raios de sol o Marco Aurélio liga e diz: “Tem jogo logo mais?”, claro que ele não estava falando de futebol, basquete ou outro esporte qualquer, pensava no Armazém ou no Bar do Miguel porque hoje é sexta-feira, e antes mesmo de ouvir o sim ele pergunta de novo: “Você vai a Miracema?”

Ao ouvir o sim e o não o amigo Cumprido se animou e, antes de desligar, deu a notícia de que o seguro do carro  vence amanhã e é preciso renovar. Prometeu mandar os boletos por e-mail. Marco desligou e sai para as compras e a ida obrigatória no banco, hoje é dia de receber os caraminguás do INSS e botar grana na conta para cobrir as despesas mensais.

Dinheiro no bolso é um perigo, principalmente para quem está pensando em fazer uma super sexta-feira, com cerveja, queijos e vinhos, e, para isto, é preciso uma boa música. 

Olhei para o lado, com atenção de um sexagenário para atravessar a rua, e deparei com uma promoção de Cds nas Lojas Americanas. Bingo! Será que vou encontrar o que quero para esta noite?

E não é que o primeirão da fila era um CD com 20 super sucessos do seresteiro maior, Carlos José, que por coincidência eu não tenho nada, o que tinha sumiu em um destes lava jatos das cidades em que ponho meu carango para lavar. Nem pensei duas vezes, comprei Carlos José, Diogo Nogueira (em Cuba), Roberto Carlos duetos e o seu clone espanhol, Julio Iglesias, também com seus 20 sucessos.

Saio para o estacionamento e,  ao entrar no carro, Carlos José no som e as lembranças vieram imediatamente, fazendo com que a nostalgia permanecesse viva dentro de mim e as recordações dos bons tempos da banda do Zé Viana, naquele tempo em que os Bailes do Polaca eram animados por nós e eu, a pedido dos dançarinos, cantava praticamente o repertório de nosso seresteiro maior.

Só que nesta coletânea o danado do cantor resolveu incluir “Naquela Mesa”, “Como Vai Você”, “Um dia de Domingo”, e como tem “Aguenta Coração”, eu prometi que agüentava e segurava o choro e a emoção de ouvir “Fio de Cabelo” e, principalmente uma das minhas serestas favoritas, “Esmeralda” e a “Lembrança” não poderia faltar no repertório nostálgico.

Como é gostoso lembrar e fazer a imaginação dar uma guinada de 40 anos atrás e lembrar dos parques de diversões que chegavam a cidade e, nos serviços de alto falantes tocava “India”, “Cabecinha no Ombro”, “Guarânia da Saudade” e  outras deste velho/moço cantador.

E prá encerrar um “Outra Vez”, que Isolda ofertou a Roberto Carlos e transformou um hino mor dos caras, que como eu, tem saudade e vive dela como forma de estar sempre pensando nas boas coisas que um dia viveu.

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