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Os velhos carnavais

 As fotos, que são publicadas constantemente nas redes sociais, nos mostram uma cidade alegre, colorida (apesar das fotos em preto e branco), cheia de charme e esbanjando energia com as marchinhas e sambas, que eram executados durante cerca de 90 dias em todas as emissoras brasileiras para que o folião, de todo país, pudessem cantar e botar pra fora toda alegria. 


No meu chip da memória estão armazenados momentos inesquecíveis assistindo Zé Faca, Mané Badeco e sua turma, Claudinho, a Turma do Funil, a Escola de Samba do Chacrinha, viva Jair Polaca, mais tarde chegando a ótima Unidos no Samba e Na Cor, viva Calil Saluan Neto, e falando nestas duas escolas e em seus líderes. eu abraço a toda turma da bateria, de sambistas e passistas e aos apaixonados que saiam na retaguarda aproveitando a deixa do final de desfile para dançar pela Rua Direita. 

Como não lembrar do Fota? Sua evolução na passarela da Rua Direita era perfeita. Como não lembrar do Mocinho? Outro exímio passista do Polaca. Como não lembrar Dona Merência? Saudades do Jorge Frederico, saudade da Arco Íris, de Paraíso, da Unidos de Todas As Cores, do Clube XV. 
Como não lembrar dos mascarados? Como não lembrar dos blocos de embalo? Como não lembrar dos blocos formados para ir ao Aeroclube e mais tarde no Clube XV? Como não reviver, em pensamento,  Levanta Povo, viva Nenenzinho, como não recordar os desfiles de blocos pela Rua Direita e adjacências, no meu Sambanerj a alegria era possível se ver a distância.

Confete, serpentina, lança perfume, bisnaga d'agua, fantasia de Colombina e Arlequim, meninos bonitos, meninas lindas e ainda mais bonitos e mais lindas durante os dias de Momo, as mães caprichavam nas fantasias e na produção e o Aeroclube, onde músicos de grande nível, como o pistonista Zé Meireles, e o baterista Bilu, comandavam os quatro dias de folia. 

No "Bola Preta", a nossa Associação Atlética Miracema, toquei o primeiro (e único) carnaval ao lado do Mestre Zé Viana, dos inesquecíveis Waldemar e Lula e na companhia do Maestro José Orçay, um trombonista que dava gosto ouvir o seu instrumento mesmo naquelas marchinhas inexpressivas que chegavam para os carnavais brasileiros. 

São tantos os personagens dos bailes que se contar um causo aqui e esquecer de outro irão me crucificar, então, coloquem, como eu faço agora, a memória para funcionar, relembre cada momento que você viveu nos Carnavais de Miracema ou em outra cidade, e reveja o filme de sua vida carnavalesca. 

Cante Cidade Maravilhosa só no fim do pensamento e passe por aquela marchinha que você cantou até quando entrou em um ônibus zuando o motorista ou gritando para o povo ouvir sua felicidade "se essa p... não virar". Cante as músicas do Abelardo "Chacrinha" Barbosa dizendo que você tinha que usar a camisinha, cante o samba da Portela, cante o hino da Globo e enfim, cante, pule, vibre virtualmente porque na realidade você jamais fará isto novamente. 

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