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Você já foi um pão?




As redes sociais, nos dias atuais, estão mais para aborrecimentos do que divertimentos. Mas, vez ou outra, aparecem postagens interessantes — algumas cheias de charme, outras, como a que comento agora, inteligentes e divertidas.

Pergunta o autor do texto: “Você já foi um pão?”

E o que seria um “pão”? Explico. Eu, por exemplo, nunca fui chamado por este adjetivo — e aqui é adjetivo, sim senhor, sim senhora.

“Pão”, naquele tempo, era o menino bonito, o rapaz vistoso, o sujeito com pinta de namorado certo para a garota que assim o chamava. Principalmente quando ele chegava perfumado — primeiro com Lancastar, porque Azzaro veio depois e já era perfume para os mais abastados — calçando um Vulcabrás e, nos dedos, um anel de brucutu. Aí, além de pão, virava um belo broto.

Dançar nas garagens, naqueles bailinhos — disso já contei muito por aqui — era quase um ritual. E dançar ao som de uma Sonata, ouvindo Trini Lopez ou The Beatles, sem jamais cogitar deixar rolar Waldick Soriano ou Teixeirinha. Isso seria vaia na certa — e, pior, você perderia seu par favorito na mesma hora.

E o que quer dizer esta postagem? Nada mais, nada menos, do que chamar você de “véio”... ou de Sentimental Demais. Olha o Altemar Dutra aí, gente. Eu disse Altemar, não Adilson... perceberam?

Nas rodinhas das nossas mães, o papo girava entre novelas e as televisões novas que começavam a chegar em algumas casas. Na minha, ficou aquela velha Telefunken, comprada pelo vovô Vicente. Mas havia amigos, meio snobs e poderosos, que assistiam à novela Beto Rockfeller em uma Sharp — o que havia de melhor na época.

Sobre carros, nada muito a declarar. Apenas o Gordini do Maiole e nada mais. Minha turma não andava de carro. O Inácio até tentava pegar a camionete do pai, mas sair para passear com um broto? Nem pensar.

E, no fim das contas, só resta aplaudir quem escreve textos assim — inteligentes, leves e carregados de saudade. Saudade que, aliás, dizem os médicos e terapeutas, faz bem à alma... embora incomode aqueles que não tiveram o privilégio de viver um tempo de paz, música e amor.

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