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A nuvem 3

 Crônica Humorística Lá em cima, a rapaziada anda com coceira nos pés. Saudade da bola, inveja da festa cá embaixo. Jair Polaca, sentado na sua nuvem com samba, mulatas e campinho particular, resolveu convocar Milton Cabeludo pra um “papo cabeça”. E pronto: começou a confusão. Cabeludo não foi sozinho, levou Beiçola e mais uns veteranos. No caminho, cataram Pernoca e Lauro, que estavam rondando a nuvem do Silvinho. Maninho, o velho observador, também foi arrastado. Polaca já ligava pro Gérson Coimbra, porque a coisa tava saindo do controle. Gérson chegou, botou ordem, mas queria Clarindo, que ninguém achava. A fofoca correu mais rápido que vento de verão: ia ter pelada! Pintinho chamou Nenenzinho, que avisou Edil, e pronto, virou romaria. Nenenzinho ainda queria brincar de “mulinha” e sair dançando, mas Cosme cortou: “Aqui é bola, samba é só no carnaval!”. Mocinho e Fota já estavam de prontidão. E os peladeiros foram chegando, sem chuteira, sem documento, só com vontade. Polaca rod...

A nuvem 2

 Ajuste sugerido A turma lá de cima parece sentir saudades da bola e inveja daqueles que ficaram por aqui fazendo festa neste final de ano. Sentado em sua nuvem particular, com mulatas, samba e um campinho improvisado, Jair Polaca mandou mensagem para Milton Cabeludo, convocando-o para um “papo cabeça” no seu cantinho. Cabeludo foi e levou Juarez Beiçola e outros contemporâneos. No caminho, encontraram Pernoca e Lauro, que rondavam a nuvem do Silvinho — este, por sua vez, tinha saído para visitar o pai, Maninho, que observava os craques chegando para conversar com São Pedro. Localizado, Maninho foi levado para a nuvem do Polaca, que já ligava para Gérson Coimbra, pois a coisa fugia do controle e precisava de organização. Seu Gérson chegou, botou ordem na casa e começou a delegar poderes, mas precisava da ajuda de Clarindo, ainda não encontrado. A notícia do encontro se espalhou rápido e os craques foram chegando para uma pelada triunfal. Pintinho, com seu passo tranquilo, chamou Ne...

Conversa de louco

 ABERTURA Cara… quando eu te conheci, mal sabia falar direito. Chegava aqui pelas mãos do Nijel ou do Alvinho. Hoje estou aqui, já grandão, falando de você… falando com você. E, mais do que isso, conversando contigo. Você, que durante tantos anos, me deu um punhado de alegrias. 1. O SILÊNCIO QUE SABIA Tristeza? Não. Nunca fiquei triste ao lado desse velho moço, que agora veste roupa nova e parece ter voltado à infância. Quantas vezes cheguei aqui sozinho, falando baixinho, sonhando que um dia seria famoso, jogador de um grande time brasileiro… Você nunca respondeu. Mas o seu silêncio… já sabia de tudo. 2. OS QUE FIZERAM HISTÓRIA Você viu passar por aqui o grande Lauro Carvalho — que cracaço! —, o Milton Cabeludo, meu primeiro ídolo. Viu nascer a geração do Rink, liderada pelo incrível — e folclórico — Chiquinho Maracanã. Viu o Tupan, com meu velho pai, Zebinho, ao lado de Olavo Cueca, Noqueta e tantos outros. E viu também esse menino teimoso sonhar alto demais. 3. O FIM DO SONHO (O...

Dia do Padroeiro

  No sábado, 6 de agosto, enquanto rolava a Corrida de São Salvador, na nossa intrépida Formosa, em Campos dos Goytacazes, sentado estava com a turma do Armazém, lá na Pracinha do Sossego, no quiosque do Eraldo, quando Motta me perguntou:  - Você chegou a conhecer o Bar do Romeu, aqui nas proximidades, onde se fazia o melhor bife de Campos?  Disse que não, mas gostaria de ter conhecido e saboreado o famoso bife e feito comparações com o nosso, lá da minha Miracema, famoso Bife do Farid, elogiado por dez entre dez estrelas vencedoras e cabeças brilhantes da cidade.  E aí me lembrei do velho e saudoso amigo, Irajá Carneiro, que sempre me falava quando me via. "Gosto de ir a Miracema para comer em pa..." Eu entendia que era para comer empada e ficava matutando, pensando comigo mesmo: Onde tem empada tão deliciosa assim, em Miracema, para o Irajá lembrar disto todas as vezes que me vê?  A resposta veio bem depois, cerca de dez anos após minha chegada a cidade e, fel...

Cachaça

  Ontem eu vi um documentário, em dos canais da Globosat, falando da cachaça, que virou mania entre os brasileiros modernos, e sobre onde encontrar aquela "boa". Seja branquinha ou amarela, seja forte ou suave a cachaça tomou o coração do rico, pobre, remediado, homem ou mulheres.  Em Miracema, no tempo em que fui ajudante de meu avô e meu pai, no bar em frente a prefeitura, conheci várias marcas e, principalmente, a nossa genuína Maravilhosa, fabricada pelo Homero Costa, em sua fazenda, que marcou época e até hoje ainda encontramos alguns litros remanescentes nas mãos do filho  do seu Homero, Antonio Carlos Pascotto da Costa, o Toninho Veterinário.  Guarda Chuva de Pobre, a pinga mais vendida e mais popular nos anos 60,  vinha lá de São Sebastião do Alto, e a Manitu, forte e temida pelos novatos, vinha de Santo Antônio de Pádua, não tenho na memória nomes famosos da região, mas estas três marcas eram as mais vendidas em todos os botecos da cidade e fazia a fest...

Carnaval define destino do pistonista

Era o quarto dia de carnaval e o pistonista, exausto mas feliz, mal sabia que aquele seria o último dia que ele tocaria o instrumento. Os lábios estourados, a garganta seca, e a voz rouca pediam por um descanso.  Foi quando ele ouviu a multidão gritando por uma música mais animada, e sem pensar, ele largou o piston e pegou o microfone... A multidão se exalta! A cidade nunca viu nada igual! O pistonista vira crooner e rouba a cena no carnaval! E então, o que acontece depois desse sucesso inesperado? Ele decide largar o piston para sempre? Nunca mais... disse o músico.  Ele larga o piston, vende, doa o dinheiro para o pai, como uma forma de gratidão ou talvez um pedido de desculpas por abandonar a música. E a história termina com ele, anos depois, contando essa aventura para a neta, que o olha com olhos brilhantes de admiração... E agora? A neta pergunta algo? Ou você quer adicionar mais um capítulo à história?  E o moço tá pensando em voltar a cantar por causa da neta, né?...

Coisa de louco? Não, apenas uma conversa inusitada

 Ca ra, quando eu te conheci não sabia sequer falar corretamente, era trazido pelo Nijel ou pelo Alvinho, hoje estou aqui, já grandão, falando sobre você, sobre você e praticamente conversando com você, que durante alguns anos me deu um punhado de alegrias. Alguém falou em tristeza? Não, jamais fiquei triste ao lado deste velho moço, que está recebendo nova roupa e se porta como se tivesse novamente poucos meses de vida. Quantas vezes cheguei aqui solitário, falando baixinho para você, que um dia seria famoso e jogaria em um grande time brasileiro? Quanta ilusão. Você não respondia. Ficava calado. Seu silêncio parecia prever que nada disto aconteceria. Você viu passar por aqui o grande Lauro Carvalho, que cracaço, o Milton Cabeludo, meu primeiro ídolo do futebol, viu nascer a geração Rink, lideradas pelo incrível, e gordo, Chiquinho Maracanã, viu nascer o Tupan, onde o meu velho pai, Zebinho, jogava ao lado de craques como Olavo Cueca, Noqueta e tantos outros da geração anos 20, nã...