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Mostrando postagens de setembro, 2024

Amigos para sempre

  Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves dentro do coração, assim dizia a canção e foi o que fiz, guardei minhas amizades e por longos e longos anos, tranquei o peito e joguei a chave fora, e, como num filme italiano, daqueles chorosos com Mastroianni ou Cardinalli, vivi a sensação de rever todos estes amigos arquivados no chip da memória e guardado no cofre do coração. A festa do reencontro já estava no número cinco e eu, sem tempo na agenda, ainda não havia comparecido a nenhum, apenas visualizava as fotos, dos quatro anteriores, lia comentários dos anfitriões, organizadores e participantes e me sentia cada dia mais com o peito apertado e a saudade aflorada na alma. Quem cantava chorou, ao ver o amigo partir, volto a Canção da América, do Milton Nascimento e Fernando Brant, para relembrar, em uma só pincelada, todos aqueles que estavam aqui no peito e se foram, deixando dor e saudade para a família e os amigos. E então, por que adiar ainda mais a necessidade de reve...

Sonhar com ídolos faz chorar

  Esta noite eu tive um sonho, bem legal, que me fez levantar no meio da noite, aquilo que a gente chama de madrugada, e sentar rapidamente na cama, pegar o notebook e escrever rapidamente sobre ele, se demorasse um pouco mais esquecia o que sonhei e não colocaria no papel o que rascunhei logo após acordar suado e dando gritos de gol, que espantaram Marina e até mesmo Gisele, que estava em seu quarto, de portas abertas porque o calor aqui em Belo Horizonte é forte e quase insuportável.  O que sonhou?  Pergunta Marina espantada com minha alegria e minha cara de choro, isto mesmo, um misto de tristeza, que me levava ao chorinho, não o ritmo, mas um choro pequeno de um quase ancião alegre com o que sonhava e acordava sabendo que tudo aquilo realmente não passava de um sonho mas que poderia ter sido realidade.  Sim, poderia ter sido realidade se eu tivesse nascido pelo menos uns cinco anos antes de 1950, poderia ter sido realidade também se Braizinho tivesse vivido na mi...

Cinquenta anos em cinco horas

  Um hiato de praticamente cinco décadas foi interrompido na noite de sexta-feira (13 de janeiro), na cidade de Nova Lima/MG, quando meu velho e querido companheiro Antonio de Padua Bastos Souto resolveu botar fim neste jejum de encontros e de papo.  Antônio soube, através de seu primo Zé Souto, que eu estaria em sua  cidade neste período e me ligou, insistentemente, exigindo que eu fosse a sua casa para um lanche e para cinco dedos de prosa, realmente um dedinho apenas, como dizem os mineiros, não seria suficiente para colocar a casa em ordem e contarmos para sua esposa, Gecilda, tudo aquilo que vivemos nos anos 60 lá na nossa terrinha.  Lembramos dos bailinhos das varandas, do medo dos amigos quando chegavam na casa das namoradas, sem os "sogros" saberem, certo Dia Faver? Contamos as aventuras pelas ruas da cidade ao lado dos amigos motorizados, das boas loucuras juvenis e dos bailes maiores, nos Grêmios dos colégios Miracemense e Nossa Senhora das Graças.  Pa...

Cantata de Natal

    Qual presente de Natal você gostaria de ganhar neste 24 de dezembro? Não venham com a lógica e politicamente correta resposta de paz, saúde e harmonia, isto é coisa de se querer diariamente e não apenas em uma noite, não me venha com aquele presente impossível, tipo um carrão ou uma viagem internacional que não cabe no seu orçamento. Tudo isto é ilusão de uma Noite de Natal. Na Cantata de Natal das Meninas de Miracema e seus amigos, recebi um belo presente de final de ano, ouviram só, presente de final de ano e não presente de Natal, vi amigos que não via há alguns anos, revivi momentos gloriosos de minha infância, o lugar (Jardim de Miracema) é especial para todos os que prosearam por lá e as recordações foram eminentes. Com Paulinho Leitão e Ronaldo Leitão Carvalho viajei aos anos 50/60 para falar do Jardim de Infância, comentar as grandes atividades no Coreto, recordar as peladas do Rink e das famosas descidas nas cascas de palmeiras no morro da Igreja Católica. Sei lá,...

Revivendo meu pedacinho de chão

    Quarta-feira, véspera de Natal, me vejo  sentado à beira da calçada, em frente a Prefeitura de Miracema, com um ar de quem está amargurado e pensando em um passado bem distante. Ao me ver, surpreso por eu pegá-lo naquele estado deplorável, um velho amigo, morador antigo daquele pedacinho de Miracema,  desabou a chorar e, com um voz embargada pela emoção, soluçando sem parar, foi soltando do peito o que lhe afligia naquele momento.  - Penacho, cadê o Bar do Vicente? Cadê a Padaria do Garibalde? A Farmácia do Seu  Scilio? Onde estão os herdeiros do Tetinho, do Neném Braga, do João Ramos, do Amaro Leitão, do José Barros, dos Coimbra? Onde está o Salão da Darquinha, da Dona Cecília e a turma do Manoel Reinaldo? Fiquei assim um pouco surpreso com a reação do veterano parceiro e tentei emendar uma resposta, talvez amenizando a situação, explicando que não há mais ninguém destes citados no nosso reduto, que eu chamo de Triângulo das Bermudas, mas foi em vão, a...

Lembrança "gelada": Vai um picolé aí?

  De todas as saudades de Miracema a mais gelada é do picolé, que do Vicente Dutra ao Abdo Eid Nassar, passando pelo Vavate e pelo Caboclo, ninguém contesta ou deixa de ter uma história para contar destas frescas lembranças da terrinha.  Esta semana, com a chegada da triste notícia do falecimento do seu Abdo, em Bom Jesus do Itabapoana, me veio à mente o picolé “saia & blusa” do vovô Vicente, que nada mais era do que um picolé de creme, em baixo, e groselha, em cima, bem divididos ao meio e de forma cremosa na parte de baixo e mais leve, na parte de cima. Os picolés do Caboclo eram especiais, não continham leite e por isto era mais barato e os sabores diferentes do produzidos pelo Vicente Dutra, ali pertinho, e que tinha uma freguesia certa nos finais da tarde, e entre estes o Jonair Ramos, freguês de carteirinha do “pitoé de chotoate”.  As noites de domingos não seriam as mesmas se faltasse a Sorveteria Miracema, primeiramente instalada onde hoje é a Leader Magazine,...

Um dia com Jair Rodrigues

  Jair Rodrigues, que ouvi desde pequeno, em Miracema, principalmente nas gravações com Elis Regina, "Dois na Bossa", que me despertaram o prazer de ouvir a boa música brasileira, e por isto agradeço a mana Eliane pelo bom gosto e pela insistência em me fazer ouvir este monstro da MPB. Prometi ao Sefinho que iria contar uma passagem, a única que tenho com ele, Jair Rodrigues, em uma das suas visitas a Campos e promessa para amigo tem que ser paga. Então leiam: Jardim São Benedito, palco de grandes shows no governo Arnaldo Vianna, e aos domingos, pela manhã, era obrigatório o encontro de amigos e amantes da boa música naquele local. Por ali desfilaram os grandes nomes da MPB, mas o que tenho a contar foi na visita de Jair, o Cachorrão. Uma jornalista, amiga de meu filho Leandro, me vê no show e me pede para ir com ela ao camarim de Jair Rodrigues. - O senhor pode ir comigo, estou começando agora e pouco sei da carreira dele e o Leandro me disse que o senhor conhece tudo dele? ...

O Grande Jair Polaca

  Jair do Nascimento é um personagem folclórico de nossa cidade, não fosse ele um ex-jogador raçudo e com um chute forte, segundo seus amigos um “coice de mula”, e um destruidor de mangueiras. Quem melhor narra as peripécias de Polaca é o conterrâneo e amigo, José Maria de Aquino, que tem no Polaca um de seus ídolos do futebol. Reza a lenda que Jair “matou” todas as mangueiras do grupo escolar com seus chutes fortes, que jamais acertavam as redes adversárias e sempre vazavam o muro do pequeno campo de treino explodindo nas árvores do colégio, onde ficava o gramado do time da cidade. Após encerrar a carreira, já bem “velhinho”, Jair resolveu experimentar o outro lado, como seu ídolo Elba de Pádua Lima, o Tim, e foi ser treinador do seu Miracema FC, onde, além das funções de orientador, exercia a de roupeiro, massagista, presidente, etc e tal.. Suas histórias são incríveis, a cada viagem que faço pelas bandas da “terrinha” ouço, com atenção, as aventuras do Polaca, o ícone do futebol...

Histórias da mesa da Kiskina

  O tempo passa e a gente não sente que envelheceu, mas olhando ao redor da Kiskina Chope, do amigo Roney, percebemos o quanto o tempo passou. Quem jamais jogou bola pode até ensaiar um elogio a um amigo mais próximo, garanto que o retorno virá na mesma moeda, concorda comigo? Se não, dê um pulo até lá e puxe conversa com quem quer que seja e diga:  - Acho que me lembro de você jogando no Miracema – pode ser Esportivo, Operário, Tupã ou Associação ou Bandeirantes. Era um atacante chato, no bom sentido, e goleador. Se esta frase for dirigida ao Eduardo Carneiro, que deu suas caneladas vestindo a camisa do time do Polaca, vai receber em troca centenas de elogios ao seu desempenho dentro de um campo de futebol, sem jamais ter mostrado pelo menos o mesmo dom exibido por ele nos gramados do Plínio Bastos de Barros, Ferradurão ou Irmãos Moreira. Isto é comum nas mesas de um boteco, principalmente quando ali se reúnem antigos parceiros, frustrados ou não, que em um belo dia curtiram ...

Bolo de linha ou pontapé?

  Neste mundo globalizado, até as apostas esportivas estão na Internet e espalhadas pelos quatro cantos do planeta, volto um pouco no tempo após receber um recado do meu guru, José Maria de Aquino. Um e-mail interessante, no qual ele conta uma passagem ocorrida em Miracema, na década de 50, quando uma aposta não paga criou um problemão entre seus amigos do futebol. O Zé fala sobre um bolo, aquele que já chamamos de pontapé, e que desde aquele longínquo tempo já era febre entre os moleques frequentadores das arquibancadas do estádio municipal ou entre aqueles que ouviam, no rádio, as transmissões do campeonato carioca de futebol. Deixe o Zé Maria contar: “Jogo Vasco x Flamengo. Bolo de linha entre a molecada. Dez nomes em dez pedacinhos de papel. Caio com o Chico, gaúcho ponta esquerda do Vasco. Chance 0,001 de marcar, mas nada havia a fazer. E não é que deu? Vasco 1 a 0, gol de Chico. Procuro o professor para pegar minha grana. Surpresa: a aposta não valeu. A grana não viria para m...

Xerifes, artilheiros e o eterno

  Tem muita gente que me lembra nomes e passa informações sobre este ou aquele jogador, miracemense ou que passou por aqui, quando este escriba ainda corria atrás da bola. Anoto tudo no bloco da memória e vou sacando folha por folha com o passar dos dias. Hoje, por exemplo, após passar quatro dias na terrinha, muitos foram lembrados e outros citados algumas vezes, mas não fazem parte do meu repertório ou jogaram em tempos mais atuais e não tive o prazer de ver jogar. Durante o carnaval pude conversar com o Rubinho, o Tiara, o Júlio, o Totonho (do Paraíso), o Renato (lá de Flores) e aos poucos o bloco vai ganhando forma e os pitacos vão chegando devagar, mas sempre com muita saudade de todos aqueles que um dia contaram à história do nosso alegre futebol dentro das quatro linhas. DOIS XERIFES – Brecó, um zagueiro não muito alto, era o símbolo de um time raçudo, aquele formado pelo Altino Monteiro, lá na Usina Santa Rosa. Brecó jogou também no Miracema e no Operário, mas foi com o Pol...

Um trem para Minas

   “Seu” Albino, um pacato cidadão mineiro, 94 anos de idade, 60 de serviço público, lúcido como um adolescente de 15 anos, é um dos mais animados na viagem entre Vitória/ES e Governador Valadares/MG. O bom velhinho, apelido conquistado pelo “Seu” Albino na viagem, traçava de tudo que lhe era oferecido pela “ferromoça”, no bom sentido é claro, e não se cansava de emitir opinião sobre o que está acontecendo no país.  Sobre o referendo, que tivemos neste final de semana, “Seu” Albino foi claro: “Não há como votar no sim. Moro sozinho, em um sítio às margens do Rio Doce, e preciso de minha velha carabina para me defender dos larápios”. O homem contou que devido a sua grande experiência com armas, serviu ao Exército Brasileiro durante 35 anos e foi um dos heróis brasileiros em solos italianos durante a Segunda Guerra Mundial. Uma opinião esportiva do “Seu Albino” ficou atravessada até o retorno, no domingo, quando senti a profundidade de seu comentário. “Ninguém muda de mulhe...