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Amigos para sempre

  Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves dentro do coração, assim dizia a canção e foi o que fiz, guardei minhas amizades e por longos e longos anos, tranquei o peito e joguei a chave fora, e, como num filme italiano, daqueles chorosos com Mastroianni ou Cardinalli, vivi a sensação de rever todos estes amigos arquivados no chip da memória e guardado no cofre do coração. A festa do reencontro já estava no número cinco e eu, sem tempo na agenda, ainda não havia comparecido a nenhum, apenas visualizava as fotos, dos quatro anteriores, lia comentários dos anfitriões, organizadores e participantes e me sentia cada dia mais com o peito apertado e a saudade aflorada na alma. Quem cantava chorou, ao ver o amigo partir, volto a Canção da América, do Milton Nascimento e Fernando Brant, para relembrar, em uma só pincelada, todos aqueles que estavam aqui no peito e se foram, deixando dor e saudade para a família e os amigos. E então, por que adiar ainda mais a necessidade de reve...

Sonhar com ídolos faz chorar

  Esta noite eu tive um sonho, bem legal, que me fez levantar no meio da noite, aquilo que a gente chama de madrugada, e sentar rapidamente na cama, pegar o notebook e escrever rapidamente sobre ele, se demorasse um pouco mais esquecia o que sonhei e não colocaria no papel o que rascunhei logo após acordar suado e dando gritos de gol, que espantaram Marina e até mesmo Gisele, que estava em seu quarto, de portas abertas porque o calor aqui em Belo Horizonte é forte e quase insuportável.  O que sonhou?  Pergunta Marina espantada com minha alegria e minha cara de choro, isto mesmo, um misto de tristeza, que me levava ao chorinho, não o ritmo, mas um choro pequeno de um quase ancião alegre com o que sonhava e acordava sabendo que tudo aquilo realmente não passava de um sonho mas que poderia ter sido realidade.  Sim, poderia ter sido realidade se eu tivesse nascido pelo menos uns cinco anos antes de 1950, poderia ter sido realidade também se Braizinho tivesse vivido na mi...

Cinquenta anos em cinco horas

  Um hiato de praticamente cinco décadas foi interrompido na noite de sexta-feira (13 de janeiro), na cidade de Nova Lima/MG, quando meu velho e querido companheiro Antonio de Padua Bastos Souto resolveu botar fim neste jejum de encontros e de papo.  Antônio soube, através de seu primo Zé Souto, que eu estaria em sua  cidade neste período e me ligou, insistentemente, exigindo que eu fosse a sua casa para um lanche e para cinco dedos de prosa, realmente um dedinho apenas, como dizem os mineiros, não seria suficiente para colocar a casa em ordem e contarmos para sua esposa, Gecilda, tudo aquilo que vivemos nos anos 60 lá na nossa terrinha.  Lembramos dos bailinhos das varandas, do medo dos amigos quando chegavam na casa das namoradas, sem os "sogros" saberem, certo Dia Faver? Contamos as aventuras pelas ruas da cidade ao lado dos amigos motorizados, das boas loucuras juvenis e dos bailes maiores, nos Grêmios dos colégios Miracemense e Nossa Senhora das Graças.  Pa...

Cantata de Natal

    Qual presente de Natal você gostaria de ganhar neste 24 de dezembro? Não venham com a lógica e politicamente correta resposta de paz, saúde e harmonia, isto é coisa de se querer diariamente e não apenas em uma noite, não me venha com aquele presente impossível, tipo um carrão ou uma viagem internacional que não cabe no seu orçamento. Tudo isto é ilusão de uma Noite de Natal. Na Cantata de Natal das Meninas de Miracema e seus amigos, recebi um belo presente de final de ano, ouviram só, presente de final de ano e não presente de Natal, vi amigos que não via há alguns anos, revivi momentos gloriosos de minha infância, o lugar (Jardim de Miracema) é especial para todos os que prosearam por lá e as recordações foram eminentes. Com Paulinho Leitão e Ronaldo Leitão Carvalho viajei aos anos 50/60 para falar do Jardim de Infância, comentar as grandes atividades no Coreto, recordar as peladas do Rink e das famosas descidas nas cascas de palmeiras no morro da Igreja Católica. Sei lá,...

Revivendo meu pedacinho de chão

    Quarta-feira, véspera de Natal, me vejo  sentado à beira da calçada, em frente a Prefeitura de Miracema, com um ar de quem está amargurado e pensando em um passado bem distante. Ao me ver, surpreso por eu pegá-lo naquele estado deplorável, um velho amigo, morador antigo daquele pedacinho de Miracema,  desabou a chorar e, com um voz embargada pela emoção, soluçando sem parar, foi soltando do peito o que lhe afligia naquele momento.  - Penacho, cadê o Bar do Vicente? Cadê a Padaria do Garibalde? A Farmácia do Seu  Scilio? Onde estão os herdeiros do Tetinho, do Neném Braga, do João Ramos, do Amaro Leitão, do José Barros, dos Coimbra? Onde está o Salão da Darquinha, da Dona Cecília e a turma do Manoel Reinaldo? Fiquei assim um pouco surpreso com a reação do veterano parceiro e tentei emendar uma resposta, talvez amenizando a situação, explicando que não há mais ninguém destes citados no nosso reduto, que eu chamo de Triângulo das Bermudas, mas foi em vão, a...

Lembrança "gelada": Vai um picolé aí?

  De todas as saudades de Miracema a mais gelada é do picolé, que do Vicente Dutra ao Abdo Eid Nassar, passando pelo Vavate e pelo Caboclo, ninguém contesta ou deixa de ter uma história para contar destas frescas lembranças da terrinha.  Esta semana, com a chegada da triste notícia do falecimento do seu Abdo, em Bom Jesus do Itabapoana, me veio à mente o picolé “saia & blusa” do vovô Vicente, que nada mais era do que um picolé de creme, em baixo, e groselha, em cima, bem divididos ao meio e de forma cremosa na parte de baixo e mais leve, na parte de cima. Os picolés do Caboclo eram especiais, não continham leite e por isto era mais barato e os sabores diferentes do produzidos pelo Vicente Dutra, ali pertinho, e que tinha uma freguesia certa nos finais da tarde, e entre estes o Jonair Ramos, freguês de carteirinha do “pitoé de chotoate”.  As noites de domingos não seriam as mesmas se faltasse a Sorveteria Miracema, primeiramente instalada onde hoje é a Leader Magazine,...

Um dia com Jair Rodrigues

  Jair Rodrigues, que ouvi desde pequeno, em Miracema, principalmente nas gravações com Elis Regina, "Dois na Bossa", que me despertaram o prazer de ouvir a boa música brasileira, e por isto agradeço a mana Eliane pelo bom gosto e pela insistência em me fazer ouvir este monstro da MPB. Prometi ao Sefinho que iria contar uma passagem, a única que tenho com ele, Jair Rodrigues, em uma das suas visitas a Campos e promessa para amigo tem que ser paga. Então leiam: Jardim São Benedito, palco de grandes shows no governo Arnaldo Vianna, e aos domingos, pela manhã, era obrigatório o encontro de amigos e amantes da boa música naquele local. Por ali desfilaram os grandes nomes da MPB, mas o que tenho a contar foi na visita de Jair, o Cachorrão. Uma jornalista, amiga de meu filho Leandro, me vê no show e me pede para ir com ela ao camarim de Jair Rodrigues. - O senhor pode ir comigo, estou começando agora e pouco sei da carreira dele e o Leandro me disse que o senhor conhece tudo dele? ...